A transformação digital não é um conceito futurista ou distante. Para que se tenha uma ideia, hoje, 67% da jornada de compra do consumidor é feita online. Isso significa, literalmente, mais de meio caminho andado para o seu setor de vendas.

No entanto, a transformação digital é estrutural, e você não vai atingi-la apenas certificando-se de que os seus potenciais clientes o encontrem na internet.

Como vamos demonstrar neste artigo, transformar-se digitalmente não é apenas aderir à tecnologia. É fazer do digital o centro de todos os processos da sua empresa, estejam eles no campo do marketing, das rotinas internas, cultura empresarial e gestão.

Veja abaixo o que você precisa saber sobre a transformação digital para adequar a sua empresa a esse importante movimento:

O que é transformação digital

Chama-se transformação digital o processo de utilizar a tecnologia para ampliar, otimizar e modificar os processos da sua empresa. Comunicação interna, marketing, vendas, RH e diversos outros setores podem se beneficiar dela.

A maior dificuldade que os gestores enfrentam, com relação a esse tema, é compreender que ela não está no futuro, mas no agora.

Segundo entrevista realizada pelo Harvard Business Review Analytics Services, 40% dos negócios está em risco por ter um concorrente melhor preparado digitalmente. Não seria irreal supor que esses números devem subir nos próximos anos.

A mudança de comportamento do consumidor

O primeiro passo para a transformação digital é a mudança no comportamento de compra do consumidor. Estima-se que, em 2020, quase 90% deles vai preferir pagar mais caro por serviços ou produtos cuja experiência de compra online seja superior.

Do ponto de vista do marketing e das vendas, esses dados apontam para uma verdadeira revolução, centrada naquilo que hoje chamamos de UX Design ou design da experiência do usuário.

O UX é a área encarregada de estudar e desenvolver soluções intuitivas e práticas para os usuários da internet. Assim, sites, aplicativos e plataformas devem ser pensadas segundo regras de utilização.

O aumento do poder de compra da geração Z

A geração Z é constituída pelas pessoas nascidas entre 1990 e 2010. São conhecidos como “nativos digitais”, uma vez que já nasceram em um contexto tecnológico e digital bem desenvolvido.

Por conta disso, a geração Z é muito mais conectada que todas as outras que a precederam. É capaz de manusear com facilidade diferentes dispositivos, muitas vezes ao mesmo tempo.

E, principalmente, utilizam esses dispositivos e a internet para fazer compras o tempo todo. A geração Z vai conquistar a sua independência financeira entre 2020 e 2040, e isso vai significar uma verdadeira revolução para empresas de todo tipo.

Para falar a verdade, essas pessoas já fazem compras e contratação de serviços pela internet, além de influenciar as gerações mais velhas a fazer o mesmo.

Resumindo, se você já pode sentir alguns sintomas da transformação digital na sua empresa, isso se deve à geração Z.

Como ela atinge diversos setores das empresas

No entanto, comportamento de compra do consumidor e marketing digital de empresas estão longe de ser as únicas áreas afetadas pela transformação digital.

Profissionais de Tecnologia da Informação e uma estrutura integrada de serviços de TI são um bom ponto de partida para a adaptação digital. No entanto, ela atinge praticamente todos os setores das organizações. Vejamos alguns exemplos:

  • A necessidade de soluções e softwares para comunicação interna dos colaboradores;
  • Demanda por softwares de gestão e vendas, como CRMs e ERPs;
  • O hábito da coleta, armazenamento e mineração de dados por meio do Big Data;
  • Necessidade de análise do desempenho da equipe e feedbacks baseados em números coletados digitalmente.

Além de pontos objetivos como esses, é importante salientar que a transformação digital atinge em cheio a cultura das empresas. Mais que isso, segundo um relatório da McKinsey & Company, uma cultura sólida é um dos requisitos para que ela possa ser implantada:

“Uma cultura organizacional forte é importante por várias razões: aumenta a habilidade de perceber ameaças e oportunidades digitais, amplia o escopo de ações de uma companhia em resposta à digitização e apoia a execução coordenada dessas ações nos cargos, departamentos e unidades de negócio.”

Em outras palavras, a transformação digital não é apenas uma questão de incorporar novas tecnologias ao dia a dia da empresa. Ela representa uma mudança de postura e mentalidade.

O que os gestores devem aprender com ela

A transformação digital não é algo que vem de fora e demanda uma adaptação por parte das organizações, nem é um movimento ao qual você deve reagir passivamente.

É importante que haja iniciativa no ambiente corporativo para desencadear essa revolução internamente, e ela deve começar pelo topo.

Para te ajudar a começar essa tarefa na sua empresa, listamos, a seguir, as 3 etapas da transformação digital. Identifique em qual delas você se encontra hoje e mobilize colaboradores, setores e recursos para seguir adiante:

1. Digitização

Boa parte das empresas — mesmo as mais conservadoras e antigas — já completou a fase de digitização. Essa fase consiste da mudança de tecnologias analógicas para digitais.

Assim, o mero uso de computadores, escaneamento de documentos e seu armazenamento em bancos de dados, sejam eles locais ou remotos, são exemplos de digitização.

O divisor de águas acontece entre esta primeira fase e a próxima, denominada “digitalização”.

2. Digitalização

Depois que a sua empresa abandona procedimentos analógicos e armazena digitalmente os dados, ela está pronta para a digitalização.

Essa etapa é mais ampla e profunda. Ela consiste das ações consequentes da etapa anterior. A seguir, citamos algumas delas:

  • o uso de servidores cloud para armazenar informações sem risco de que falhas humanas apaguem dados ou que a segurança de documentos fique exposta a ameaças digitais;
  • a adoção de técnicas avançadas de análise massiva de dados como o Big Data;
  • a integração de soluções em TI, como computadores, cabeamento, servidores, sistemas de segurança, firewall e outros.
  • para organizações de grande porte, a implantação de Data Centers, onde seus servidores serão alocados.

Estruturas como a que descrevemos acima são a base para a utilização de tecnologias que revolucionam o cotidiano das empresas.

Estamos falando de novidades como o blockchain — uma espécie de enorme livro contábil distribuído por inúmeros computadores ao redor do mundo e que permitiu a criação do bitcoin, famosa moeda digital.

Além dele, podemos citar a IoT ou Internet das Coisas, o Big Data, as criptomoedas e outros.

3. Transformação digital

A terceira e última etapa é a transformação digital propriamente dita. Trata-se dos efeitos das duas etapas anteriores em todos os âmbitos organizacionais.

Assim, embora os processos de digitização ou digitalização sejam de adaptação e uso de ferramentas tecnológicas, a transformação digital é mais ampla e profunda.

Sem risco de exagerar, é possível dizer que ela envolve decisões socioeconômicas, culturais, de gestão e compreensão da realidade.

Ou seja, a transformação digital como um todo é o desfecho de toda uma mudança de pensamento. Mudança essa que obriga as companhias a acompanharem a substituição de certos conceitos e práticas por parte de seu consumidor.

Uma mudança social que afeta consumidores e empresas da mesma maneira. Esteja preparado para ela!